segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO E O SISTEMA NACIONAL DE EDUCAÇÃO: BASES PARA A TRANSFORMAÇÃO QUE QUEREMOS


A Constituição da República Federativa do Brasil, no seu Capítulo III, Seção I, estabelece que “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.” Para a efetividade do diálogo que se inicia com a presente reflexão, quero destacar no texto acima dois aspectos que se relacionam mais diretamente ao tema deste nosso debate: a educação como direito de todos e dever do estado e a participação da sociedade nos processos relacionados à oferta desta educação.

O destaque deve-se ao teor da conversa que teremos, a partir deste texto, com nossos companheiros educadores, pais, estudantes e todos aqueles que militam em seus bairros, locais de trabalho, na sua família e também através dos meios digitais por uma causa que interessa a todas as brasileiras e a todos os brasileiros: a educação do nosso povo.

Na intenção de contribuir para a instalação de um debate que contemple as opiniões diversas e que proporcione elementos para a construção de um mandato comprometido com a causa da educação, serão produzidos 4 textos que versarão sobre o Plano Nacional de Educação (PNE) e o Sistema nacional de Educação (SNE). O primeiro texto, este que apresento agora, busca situar a militância na proposta apresentada pelos dois instrumentos citados acima (PNE e SNE), informar sobre o andamento da tramitação do Projeto de Lei do PNE, atualmente no Senado Federal, e dar início ao debate. Em seguida, virão mais 3 textos que aprofundarão um pouco mais o tema: o primeiro tratará da valorização dos profissionais da educação; o segundo, do acesso e permanência das crianças e jovens na educação e o terceiro tratará do financiamento da educação.

O PNE e o SNE são fruto dos anseios dos movimentos sociais e do povo brasileiro que, de forma engajada ou não, manifestou, ao longo dos anos, o desejo de poder interferir mais efetivamente na elaboração e efetivação das políticas públicas e das decisões que se relacionam à educação no Brasil. Este desejo foi ouvido pelo governo federal quando, no governo Lula, foi realizada a 1ª Conferência Nacional de Educação – CONAE, em 2010, o que agregou, em torno da elaboração coletiva de propostas, 450 mil delegados e delegadas eleitos democraticamente nas instâncias municipal, regional e estadual, por 3,5 milhões de pessoas, o que representa quase 2% da população brasileira.

O grande envolvimento e a importante contribuição da população brasileira para a educação através desta primeira CONAE desencadeou a construção, pelo Ministério da Educação – MEC, do texto do PNE, que foi enviado pelo governo federal ao Congresso em 15 de dezembro de 2010 e que, sendo alvo de disputas diversas que envolvem os interesses da comunidade, os setores privados, o terceiro setor, entre outras forças, tramita ainda hoje, em 2013, sem ter tido sua aprovação efetivada e nem a sua implementação realizada.

O PNE e o SNE relacionam-se na medida em que ambos buscarão propiciar a oferta de educação de qualidade aos brasileiros e às brasileiras, democratizando o acesso à educação em todos os níveis. Enquanto o PNE estabelece 10 diretrizes e 20 metas para a educação nacional, relacionadas à qualidade, à universalização do atendimento, à gestão democrática, à produção científica e cultural brasileiras, entre outras importantes questões, o SNE busca efetivar estas diretrizes e metas através do reforço ao regime de colaboração entre os entes federados e a melhoria dos processos de transferência de recursos, responsabilizando-se pela efetivação da política nacional de educação. Previsto para votação no próximo dia 11/12/13, o PNE foi aprovado na Comissão de Educação do Senado no dia 27/11, e, caso aprovado, retornará á Câmara para aprovação.

Nesse sentido, pretendemos dialogar com toda a comunidade a respeito do que representa o PNE para a educação brasileira, e em especial a educação baiana. Precisamos construir juntos as formas de implementação dos avanços que certamente virão através deste importante instrumento de gestão e de democratização do acesso à educação, garantindo que estes avanços tenham o acompanhamento, a ajuda e o monitoramento da comunidade.

Mais investimentos em educação, mais vagas, mais remuneração para os profissionais da educação, mais qualidade, mais recursos pedagógicos, mais tecnologia, mais livros, mais educação de qualidade às crianças e jovens do Brasil, que hoje iniciam sua jornada de construção dos conhecimentos sobre o mundo e que, com certeza, serão muito mais bem atendidos pela escola do que as gerações anteriores o foram. Para tanto, nossa participação é fundamental. 


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A reflexão crítica – e autocrítica – uma necessidade para o PT


Nascemos, crescemos e conquistamos governos sob a marca da diversidade e do exercício permanente do contraditório.

Nunca antes, na história do PT, foi tão importante reafirmar esta característica como nosso maior diferencial em relação aos demais partidos. O que está em jogo não é apenas as eleições gerais de 2014.

Está em jogo não apenas o legado de dez anos de governo, mas as lágrimas, o suor e o sangue derramados em 33 anos de construção de um dos maiores partidos de esquerda do mundo.

Em tributo a esta monumental construção coletiva, e compreendendo o papel do PT nos próximos 30 anos, mais do que nunca é necessário debater erros, acertos e os desafios colocados pela complexa conjuntura.

Sem medo de ser feliz, reivindicamos o debate franco e profundo com a nossa militância. Mais do que nunca, um debate necessário. O congresso nacional e estadual de nosso Partido está com esta responsabilidade.


Adaptação extraída da tese – PT mais forte – apresentada no último PED

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Além de Zé Dirceu e Genoíno, temos mais presos políticos no Brasil

“Preso político é Rafael Braga Vieira, 26 anos, catador de latas, morador de rua, negro. Ele foi preso em 20 de junho, durante uma manifestação na Avenida Presidente Vargas, no Rio. Já tinha sido preso por roubo em duas outras ocasiões e cumprido as penas completas.
Desta vez, está encarcerado, sem julgamento, há cinco meses no presídio de Japeri. Seu crime: carregar uma garrafa de Pinho Sol e outra de água sanitária. E uma vassoura, mas esta não foi considerada suspeita.
Seu caso foi relatado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) e ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.”
Trechos da coluna de Eliane Brum em El País

Amarildo – Um mártir político de nossa democracia

“Mártir político é Amarildo de Souza. Favelado, negro, analfabeto, 43 anos, o ajudante de pedreiro conhecido como “boi” pela sua capacidade de carregar sacas de cimento desapareceu em 14 de julho ao ser levado a uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da Rocinha, no Rio de Janeiro.
Amarildo, o homem comum vítima da política de criminalizar, torturar e executar os pobres. Uma política que atravessa a história do Brasil, persiste na redemocratização e se manteve nos governos de Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma.
Não era o primeiro a desaparecer depois de entrar num posto policial, não foi o último. Mas, pela primeira vez, um homem comum, carregando em si todas as marcas da abissal desigualdade do Brasil, foi reconhecido como um desaparecido político da democracia, lugar destinado a ele pela convulsão das ruas. Esta pode ter sido a maior transformação colocada em curso pelos protestos.”
Trechos da coluna de Eliana Brum em El País
Fonte: http://brasil.elpais.com/brasil/2013/11/25/opinion/1385417332_769557.html

O HOMEM É CAPAZ

O homem pode levar a agricultura ao mar. O homem pode criar vegetais que vivam com água salgada. A força da humanidade se concentra no essencial. É incomensurável. Ali estão as mais portentosas fontes de energia. Que sabemos da fotossíntese? Quase nada. A energia no mundo sobra se trabalharmos para usá-la com ela.
É possível extirpar toda a indigência do planeta. É possível criar estabilidade e será possível às gerações futuras, se lograrmos começar a pensar como espécie e não só como indivíduo, levar a vida à galaxia e seguir com esse sonho conquistador que nós, seres humanos, levamos em nossos genes.
Mas para que todos esses sonhos sejam possíveis, necessitamos governarmos a nós mesmos ou sucumbiremos porque não somos capazes de estar à altura da civilização que fomos desenvolvendo.
Este é nosso dilema. Não nos entretenhamos apenas remendando consequências. Pensemos nas causas de fundo, na civilização do desperdício, na civilização do use-tire que o que está tirando é tempo da vida humana mal gasto, derrotando questões inúteis.

Pensem que a vida humana é um milagre. Que estamos vivos por milagre e nada vale mais do que a vida. E que nosso dever biológico acima de todas as coisas é respeitar a vida e impulsioná-la, cuidar dela, procriá-la e entender que a espécie é a nossa gente.
Trechos do Presidente Uruguaio Pepe Mujica, na assembléia geral da ONU

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A BOMBA DE 100 ANOS

Há poucos dias fizeram ali, na Califórnia, em um corpo de bombeiros, uma homenagem a uma bombinha elétrica que há 100 anos está ligada. Cem anos que está ligada, amigo!
Quantos milhões de dólares nos tiraram do bolso fazendo deliberadamente porcarias para que as pessoas comprem, comprem e comprem.
Mas esta globalização de olhar para todo o planeta e por toda a vida significa uma mudança cultural brutal. É o que nos está requerendo a história.
Toda a base material mudou e oscilou, e os homens, com nossa cultura, permanecemos como se não houvesse ocorrido nada e em lugar de governar a civilização, esta é que nos governa.
Há mais de 20 anos que discutíamos a humilde taxa Tobin. Impossível aplicá-la ao nível do planeta. Todos os bancos do poder financeiro se levantam feridos em sua propriedade privada e que sei lá eu quantas coisas mais.
No entanto, isso é o paradoxal. No entanto, com talento, com trabalho coletivo, com ciência, o homem passo a passo é capaz de transformar em verde os desertos.
Trechos do Presidente Uruguaio Pepe Mujica, na assembléia geral da ONU

AS SOLIDÕES DA GUERRA

Até que o homem não saia desta pré-história e arquive a guerra como recurso quando a política fracassa, essa é a longa marcha e o desafio que temos por diante. E o dizemos com conhecimento de causa. Conhecemos as tristezas da guerra.

No entanto, esses sonhos, esses desafios que estão no horizonte implica lutar por uma agenda de acordos mundiais que comecem a governar nossa história e superar passo a passo, as ameaças à vida. A espécie como tal, deveria existir um governo para a humanidade que supere o individualismo e lute por recriar cabeças políticas que trilhe o caminho da ciência e não apenas aos interesses imediatos que não estão governando e afogando.
Paralelamente temos que entender que os indigentes do mundo não são da África ou da América Latina, são de toda a humanidade e esta deve como tal, globalizada, tender a empenhar-se em seu desenvolvimento, para que possam viver com decência por conta própria. Os recursos necessários existem, estão nesse desperdício depredador de nossa civilização.
Trechos do Presidente Uruguaio Pepe Mujica, na assembléia geral da ONU

NOSSO PEQUENO EXEMPLO

A ONU, nossa ONU definha, se burocratiza por falta de poder e de autonomia, de reconhecimento e sobretudo de democracia em direção aos mais fracos que constituem a maioria absoluta do planeta. 
Dou um pequeno exemplo, pequenino. Nosso pequeno país tem em termos absolutos, a maior quantidade de soldados em missões de paz dos países da América Latina espalhados pelo mundo. E lá estamos, onde nos pedem que estejamos.
Mas somos pequenos, fracos. Onde se repartem os recursos e se tomam as decisões, não entramos nem para servir o café. 
No mais profundo de nosso coração, existe um enorme anseio de ajudar para que o homem saia da pré-história. Eu defino que o homem enquanto viva em clima de guerra, está na pré-história, apesar dos muitos artefatos que possa construir.
Trechos do Presidente Uruguaio Pepe Mujica, na assembléia geral da ONU

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Trechos do Presidente Uruguaio Pepe Mujica, na assembléia geral da ONU


As instituições mundiais, particularmente hoje, vegetam à sombra consentida das dissidências das grandes nações que, obviamente, querem reter sua cota de poder.

Bloqueiam esta ONU que foi criada com uma esperança e como um sonho de paz para a humanidade. Mas, pior ainda, desarraigam-na da democracia no sentido planetário porque não somos iguais.

Não podemos ser iguais nesse mundo onde há mais fortes e mais fracos. Portanto, é uma democracia ferida e está cerceando a história de um possível acordo mundial de paz, militante, combativo e verdadeiramente existente.

E, então, remendamos doenças ali onde há eclosão, tudo como agrada a algumas das grandes potências. Os demais olham de longe. Não existimos.


Trechos do Presidente Uruguaio Pepe Mujica, na assembléia geral da ONU


Ouçam bem, queridos amigos: em cada minuto no mundo se gastam US$ 2 milhões em ações militares nesta terra. Dois milhões de dólares por minuto em inteligência militar!!

Em investigação médica, de todas as enfermidades que avançaram enormemente, cuja cura dá às pessoas uns anos a mais de vida, a investigação cobre apenas a quinta parte da investigação militar.

Este processo, do qual não podemos sair, é cego. Assegura ódio e fanatismo, desconfiança, fonte de novas guerras e, isso também, esbanjamento de fortunas. Eu sei que é muito fácil, poeticamente, autocriticarmo-nos pessoalmente. E creio que seria uma inocência neste mundo afirmar que há recursos para economizar e gastar em outras coisas úteis.

Isso seria possível, novamente, se fôssemos capazes de exercitar acordos mundiais e prevenções mundiais de políticas planetárias que nos garantissem a paz e que a dessem para os mais fracos, garantia que não temos. Aí haveria enormes recursos para deslocar e solucionar as maiores vergonhas que pairam sobre a Terra.

Mas basta uma pergunta: nesta humanidade, hoje, onde se iria sem a existência dessas garantias planetárias? Então cada qual esconde armas de acordo com sua magnitude, e aqui estamos, porque não podemos raciocinar como espécie, apenas como indivíduos.


quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Trechos do Presidente Uruguaio Pepe Mujica, na assembléia geral da ONU


Esse homem da rua deveria ser a causa central da luta política na vida das repúblicas. Os governos republicanos deveriam se parecer cada vez mais com seus respectivos povos na forma de viver e na forma de se comprometer com a vida.

A verdade é que cultivamos arcaísmos feudais, cortesias consentidas, fazemos diferenciações hierárquicas que, no fundo, amassam o que têm de melhor as repúblicas: que ninguém é mais que ninguém.

O jogo desse e de outros fatores nos retém na pré-história. E, hoje, é impossível renunciar à guerra cuando a política fracassa. Assim, se estrangula a economia, esbanjamos recursos.

Fonte: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-homenzinho-medio-das-nossas-grandes-cidades-perambula-entre-os-bancos-e-o-tedio-o-discurso-de-mujica-na-assembleia-da-onu/

Trechos do Presidente Uruguaio Pepe Mujica, na assembléia geral da ONU


Porque se há uma característica deste bichinho humano é a de que é um conquistador antropológico.

Parece que as coisas tomam autonomia e essas coisas subjugam os homens. De um lado a outro, sobram ativos para vislumbrar tudo isso e para vislumbrar o rombo.

Mas é impossível para nós coletivizar decisões globais por esse todo. A cobiça individual triunfou grandemente sobre a cobiça superior da espécie.

Aclaremos: o que é “tudo”, essa palavra simples, menos opinável e mais evidente? Em nosso Ocidente, particularmente, porque daqui viemos, embora tenhamos vindo do sul, as repúblicas que nasceram para afirmar que os homens são iguais, que ninguém é mais que ninguém, que os governos deveriam representar o bem comum, a justiça e a igualdade.

Muitas vezes, as repúblicas se deformam e caem no esquecimento da gente que anda pelas ruas, do povo comum.

Fonte: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-homenzinho-medio-das-nossas-grandes-cidades-perambula-entre-os-bancos-e-o-tedio-o-discurso-de-mujica-na-assembleia-da-onu/

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Trechos do Presidente Uruguaio Pepe Mujica, na assembléia geral da ONU


Nossa época é portentosamente revolucionária como não conheceu a história da humanidade. Mas não tem condução consciente, ou ao menos condução simplesmente instintiva.

Muito menos, todavia, condução política organizada, porque nem se quer tivemos filosofia precursora ante a velocidade das mudanças que se acumularam.
A cobiça, tão negativa e tão motor da história, essa que impulsionou o progresso material técnico e científico, que fez o que é nossa época e nosso tempo e um fenomenal avanço em muitas frentes, paradoxalmente, essa mesma ferramenta, a cobiça que nos impulsionou a domesticar a ciência e transformá-la em tecnologia nos precipita a um abismo nebuloso.

A uma história que não conhecemos, a uma época sem história, e estamos ficando sem olhos nem inteligência coletiva para seguir colonizando e para continuar nos transformando.


Trechos do Presidente Uruguaio Pepe Mujica, na assembléia geral da ONU


Volto a repetir, porque alguns chamam a crise ecológica do planeta de consequência do triunfo avassalador da ambição humana. Esse é nosso triunfo e também nossa derrota, porque temos impotência política de nos enquadrarmos em uma nova época. E temos contribuído para sua construção sem nos dar conta.

Por que digo isto? São dados, nada mais. O certo é que a população quadruplicou e o PIB cresceu pelo menos vinte vezes no último século. Desde 1990, aproximadamente a cada seis anos o comércio mundial duplica.

Poderíamos seguir anotando dados que estabelecem a marcha da globalização. O que está acontecendo conosco? Entramos em outra época aceleradamente, mas com políticos, enfeites culturais, partidos e jovens, todos velhos ante a pavorosa acumulação de mudanças que nem sequer podemos registrar.

Não podemos manejar a globalização porque nosso pensamento não é global. Não sabemos se é uma limitação cultural ou se estamos chegando a nossos limites biológicos.


Trechos do Presidente Uruguaio Pepe Mujica, na assembléia geral da ONU


Continuarão as guerras e, portanto, os fanatismos, até que, talvez, a mesma natureza faça um chamado à ordem e torne inviáveis nossas civilizações.

Talvez nossa visão seja demasiado crua, sem piedade, e vemos ao homem como uma criatura única, a única que há acima da terra capaz de ir contra sua própria espécie.


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Trechos do Presidente Uruguaio Pepe Mujica, na assembléia geral da ONU


Obviamente, não somos tão iludidos, nada disso acontecerá, nem coisas parecidas. Nos restam muitos sacrifícios inúteis daqui para diante, muitos remendos de consciência sem enfrentar as causas. Hoje, o mundo é incapaz de criar regras planetárias para a globalização e isso é pelo enfraquecimento da alta política, isso que se ocupa de todo.

Por último, vamos assistir ao refúgio de acordos mais ou menos “reclamáveis”, que vão pleitear um comércio interno livre, mas que, no fundo, terminarão construindo parapeitos protecionistas, supranacionais em algumas regiões do planeta.

A sua vez, crescerão ramos industriais importantes e serviços, todos dedicados a salvar e a melhorar o meio ambiente. Assim vamos nos consolar por um tempo, estaremos entretidos e, naturalmente, continuará a parecer que a acumulação é boa, para a alegria do sistema financeiro.


Trechos do Presidente Uruguaio Pepe Mujica, na assembleia geral da ONU


Precisamos sim mascar muito o velho e o eterno da vida humana junto da ciência, essa ciência que se empenha pela humanidade não para enriquecer; com eles, com os homens de ciência da mão, primeiros conselheiros da humanidade, estabelecer acordos para o mundo inteiro.

Nem os Estados nacionais grandes, nem as transnacionais e muito menos o sistema financeiro deveriam governar o mundo humano. Sim, a alta política entrelaçada com a sabedoria científica, ali está a fonte.

 Essa ciência que não apetece o lucro, mas que mira o por vir e nos diz coisas que não escutamos. Quantos anos faz que nos disseram coisas que não entendemos?

Creio que se deve convocar a inteligência ao comando da nave acima da terra, coisas assim e coisas que não posso desenvolver nos parecem impossíveis, mas requereriam que o determinante fosse a vida, não a acumulação.


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Trechos do Presidente Uruguaio Pepe Mujica, na assembleia geral da ONU


Talvez nosso mundo necessite menos de organismos mundiais, desses que organizam fóruns e conferências, que servem muito às cadeias hoteleiras e às companhias aéreas e, no melhor dos casos, não reúne ninguém e transforma em decisões…


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Trechos do Presidente Uruguaio Pepe Mujica, na assembleia geral da ONU


Mais claro, cremos que o mundo requer a gritos regras globais que respeitem os avanços da ciência, que abunda. Mas não é a ciência que governa o mundo.

Precisa-se, por exemplo, uma larga agenda de definições, quantas horas de trabalho e toda a terra, como convergem as moedas, como se financia a luta global pela água e contra os desertos.

Como se recicla e se pressiona contra o aquecimento global. Quais são os limites de cada grande questão humana. Seria imperioso conseguir consenso planetário para desatar a solidariedade com os mais oprimidos, castigar impositivamente o esbanjamento e a especulação.

Mobilizar as grandes economias não para criar descartáveis com obsolescência calculada, mas bens úteis, sem fidelidade, para ajudar a levantar os pobres do mundo. Bens úteis contra a pobreza mundial. Mil vezes mais rentável que fazer guerras. Virar um neo-keynesianismo útil, de escala planetária, para abolir as vergonhas mais flagrantes deste mundo.


Trechos do Presidente Uruguaio Pepe Mujica, na assembleia geral da ONU


Hoje é tempo de começar a talhar para preparar um mundo sem fronteiras.

A economia globalizada não tem mais condução que o interesse privado, de muitos poucos, e cada Estado Nacional mira sua estabilidade continuísta, e hoje a grande tarefa para nossos povos, em minha humilde visão, é o todo.

Como se isto fosse pouco, o capitalismo produtivo, francamente produtivo, está meio prisioneiro na caixa dos grandes bancos. No fundo, são o vértice do poder mundial.

Fonte: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-homenzinho-medio-das-nossas-grandes-cidades-perambula-entre-os-bancos-e-o-tedio-o-discurso-de-mujica-na-assembleia-da-onu/

Trechos do Presidente Uruguaio Pepe Mujica, na assembleia geral da ONU


O homenzinho médio de nossas grandes cidades perambula entre os bancos e o tédio rotineiro dos escritórios, às vezes temperados com ar condicionado.

Sempre sonha com as férias e com a liberdade, sempre sonha com pagar as contas, até que, um dia, o coração para, e adeus.

Haverá outro soldado abocanhado pelas presas do mercado, assegurando a acumulação.

A crise é a impotência, a impotência da política, incapaz de entender que a humanidade não escapa nem escapará do sentimento de nação. Sentimento que está quase incrustado em nosso código genético.


terça-feira, 19 de novembro de 2013

Trechos do Presidente Uruguaio Pepe Mujica, na assembleia geral da ONU


A política, eterna mãe do acontecer humano, ficou limitada à economia e ao mercado. De salto em salto, a política não pode mais que se perpetuar, e, como tal, delegou o poder, e se entretém, aturdida, lutando pelo governo.

Debochada marcha de historieta humana, comprando e vendendo tudo, e inovando para poder negociar de alguma forma o que é inegociável. Há marketing para tudo, para os cemitérios, os serviços fúnebres, as maternidades, para pais, para mães, passando pelas secretárias, pelos automóveis e pelas férias. Tudo, tudo é negócio.

Todavia, as campanhas de marketing caem deliberadamente sobre as crianças, e sua psicologia para influir sobre os adultos e ter, assim, um território assegurado no futuro. Sobram provas de essas tecnologias bastante abomináveis que, por vezes, conduzem a frustrações e mais.


Trechos do Presidente Uruguaio Pepe Mujica, na assembleia geral da ONU



Arrasamos a selva, as selvas verdadeiras, e implantamos selvas anônimas de cimento. Enfrentamos o sedentarismo com esteiras, a insônia com comprimidos, a solidão com eletrônicos, porque somos felizes longe da convivência humana.

Cabe se fazer esta pergunta, ouvimos da biologia que defende a vida pela vida, como causa superior, e a suplantamos com o consumismo funcional à acumulação.


segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Trechos do Presidente Uruguaio Pepe Mujica, na assembleia geral da ONU


Nossa civilização montou um desafio mentiroso e, assim como vamos, não é possível satisfazer esse sentido de esbanjamento que se deu à vida. Isso se massifica como uma cultura de nossa época, sempre dirigida pela acumulação e pelo mercado.

Prometemos uma vida de esbanjamento, e, no fundo, constitui uma conta regressiva contra a natureza, contra a humanidade no futuro. Civilização contra a simplicidade, contra a sobriedade, contra todos os ciclos naturais.

O pior: civilização contra a liberdade que supõe ter tempo para viver as relações humanas, as únicas que transcendem: o amor, a amizade, aventura, solidariedade, família.

Civilização contra tempo livre que não é pago, que não se pode comprar, e que nos permite contemplar e esquadrinhar o cenário da natureza.


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Trechos do Presidente Uruguaio Pepe Mujica, na assembleia geral da ONU


A tolerância é o fundamento de poder conviver em paz, e entendendo que, no mundo, somos diferentes.

O combate à economia suja, ao narcotráfico, ao roubo, à fraude e à corrupção, pragas contemporâneas, procriadas por esse antivalor, esse que sustenta que somos felizes se enriquecemos, seja como seja.

Sacrificamos os velhos deuses imateriais. Ocupamos o templo com o deus mercado, que nos organiza a economia, a política, os hábitos, a vida e até nos financia em parcelas e cartões a aparência de felicidade.

Parece que nascemos apenas para consumir e consumir e, quando não podemos, nos enchemos de frustração, pobreza e até autoexclusão.

O certo, hoje, é que, para gastar e enterrar os detritos nisso que se chama pela ciência de poeira de carbono, se aspirarmos nesta humanidade a consumir como um americano médio, seriam imprescindíveis três planetas para poder viver.


Trechos do Presidente Uruguaio Pepe Mujica, na assembleia geral da ONU


Mas sou do sul e venho do sul, a esta Assembleia, carrego inequivocamente os milhões de compatriotas pobres, nas cidades, nos desertos, nas selvas, nos pampas, nas depressões da América Latina pátria de todos que está se formando.

Carrego as culturas originais esmagadas, com os restos de colonialismo nas Malvinas, com bloqueios inúteis a este jacaré sob o sol do Caribe que se chama Cuba. Carrego as consequências da vigilância eletrônica, que não faz outra coisa que não despertar desconfiança. Desconfiança que nos envenena inutilmente. Carrego uma gigantesca dívida social, com a necessidade de defender a Amazônia, os mares, nossos grandes rios na América.

Carrego o dever de lutar por pátria para todos.

Para que a Colômbia possa encontrar o caminho da paz, e carrego o dever de lutar por tolerância, a tolerância é necessária para com aqueles que são diferentes, e com os que temos diferências e discrepâncias. Não se precisa de tolerância com aqueles com quem estamos de acordo.


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Trechos do Presidente Uruguaio Pepe Mujica, na assembleia geral da ONU


Quase 50 anos recordando o Maracanã, nossa façanha esportiva. Hoje, ressurgimos no mundo globalizado, talvez aprendendo de nossa dor. Minha história pessoal, a de um rapaz — por que, uma vez, fui um rapaz — que, como outros, quis mudar seu tempo, seu mundo, o sonho de uma sociedade libertária e sem classes. Meus erros são, em parte, filhos de meu tempo. Obviamente, os assumo, mas há vezes que medito com nostalgia.

Quem tivera a força de quando éramos capazes de abrigar tanta utopia! No entanto, não olho para trás, porque o hoje real nasceu das cinzas férteis do ontem. Pelo contrário, não vivo para cobrar contas ou para reverberar memórias.

Me angustia, e como, o amanhã que não verei, e pelo qual me comprometo. Sim, é possível um mundo com uma humanidade melhor, mas talvez, hoje, a primeira tarefa seja cuidar da vida.

Fonte: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-homenzinho-medio-das-nossas-grandes-cidades-perambula-entre-os-bancos-e-o-tedio-o-discurso-de-mujica-na-assembleia-da-onu/

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Trechos do Presidente Uruguaio Pepe Mujica, na assembleia geral da ONU


Amigos, sou do sul, venho do sul. Esquina do Atlântico e do Prata, meu país é uma planície suave, temperada, uma história de portos, couros, charque, lãs e carne. Houve décadas púrpuras, de lanças e cavalos, até que, por fim, no arrancar do século 20, passou a ser vanguarda no social, no Estado, no Ensino. Diria que a social-democracia foi inventada no Uruguai.

Durante quase 50 anos, o mundo nos viu como uma espécie de Suíça. Na realidade, na economia, fomos bastardos do império britânico e, quando ele sucumbiu, vivemos o amargo mel do fim de intercâmbios funestos, e ficamos estancados, sentindo falta do passado.


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Taxa de desemprego caiu 32% no último decênio

Nos últimos dez anos, a taxa nacional de desemprego decaiu de 9,1%, em 2002, para 6,2%, em 2012, o que representa queda acumulada de 32,1% no período considerado.

Após ter atingido uma das mais altas taxas de desemprego aberto de sua história no ano 2000, quando 15% de toda a sua força de trabalho estava sem ocupação, o Brasil apresentou nova trajetória de queda absoluta e relativa dos desempregados.

Isso permaneceu inalterado, inclusive, na manifestação da mais grave crise do capitalismo global, a partir de 2008. Enquanto as principais economias desenvolvidas passaram a conviver com aumento no desemprego, o Brasil persistiu no caminho da contenção continuada do desemprego.


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Comentário sobre a conjuntura

Proposta de autonomia do Banco Central: A proposta de conferir autonomia operacional ao Banco Central, de autoria do senador Francisco Meirelles (PP-RJ), gerou nova divisão na base aliada do governo no Senado.

Comentário: O tema da autonomia operacional do Banco Central sempre está presente no debate público brasileiro, apesar do fato de que o Banco Central (BC) atualmente já possui ampla autonomia e liberdade de ação.

Conferir mandados irrevogáveis ao presidente do BC seria como desvincular as decisões de política monetária da formulação geral da política econômica, sem, no entanto, desvincular as decisões do Banco Central (e de seus diretores) da influência do mercado e dos grandes bancos.

A autonomia formal do BC subordina importantes decisões da política econômica aos técnicos, que apesar de competentes, não foram eleitos por ninguém para comandar a economia do país.

Esta defesa de um “governo dos não eleitos” aceita a ideia de que os técnicos podem ser influenciados pelo mercado e pelos bancos, mas não podem ser influenciados por políticos eleitos pelo povo.  


Fonte: Boletim de Conjuntura n° 75, de 31/10/2013 – Fundação Perseu Abramo