O Gangsterismo Global: Como os EUA Trocaram o Terno pelo Coldre
Durante décadas, eles foram os gentlemen do
caos. Agiam nos corredores tapetados de organismos internacionais, em golpes de
Estado encobertos, em sanções econômicas letais mas silenciosas. A política
externa dos Estados Unidos vestiu, por muito tempo, um terno bem cortado de
legalidade internacional, mesmo quando suas mãos sujavam-se de petróleo, sangue
e soberania alheia. Era um gangsterismo de alto nível, sofisticado, velado.
A era Trump rasgou o terno.
O que antes era sussurrado em gabinetes ou executado
por proxies agora é gritado no Twitter, transformado em ameaça
televisiva, declarado com a crueza de um ultimato no faroeste. A mudança não é
de essência, mas de método. A máscara caiu. O império abandonou a retórica e
adotou a linguagem direta da extorsão.
O caso recente é um retrato nítido desta nova (des)roupação.
A vice-presidenta da Venezuela, Delcy Rodríguez, foi alvo de uma ameaça pública
e grosseira do ex-presidente Donald Trump. A mensagem, em resumo, era um
clássico da máfia: "Se não se alinhar com os nossos interesses, você vai
pagar mais caro." Não há diplomacia aqui. Não há respeito ao direito
internacional ou à soberania de uma nação. Há apenas a postura do pistoleiro que
chega à cidade e diz como as coisas vão ser. Só que Trump não é o xerife. Nunca
foi. Ele é o bandido que mente descaradamente, que desrespeita qualquer lei que
o incomode, que faz da chantagem e da intimidação sua principal ferramenta de
negócio. Ele é a face explícita de uma lógica que sempre existiu: a dos EUA
como o fora-da-lei global que dita as regras que só ele ou seus vassalos podem
quebrar.
Este momento de brutalidade franca, no entanto, é também uma
oportunidade histórica. A máscara caída deixa visível, para todos os povos, o
rosto do poder hegemônico. Já não é possível fingir que se trata de
"promoção da democracia" ou "intervenção humanitária". É
poder bruto, nua e cruamente.
Por isso, a resposta não pode ser mais a mesma. É necessária
uma postura firme, corajosa e coordenada dos países verdadeiramente soberanos,
daqueles cujos governos estão comprometidos com o desenvolvimento nacional e
não com a submissão a uma potência estrangeira. São atitudes concretas,
coletivas, que causem constrangimento real aos Estados Unidos.
Chegou a hora de nomear os crimes, de isolar os criminosos no palco mundial.
Chegou a hora, por exemplo, de enfrentar com união
inabalável o genocídio em Gaza – um projeto tornado possível pelo apoio
incondicional estadunidense. Chegou a hora de trazer a julgamento, no tribunal
da opinião pública mundial, todos os crimes cometidos pelos EUA contra a
soberania de países do Vietnã ao Iraque, da Líbia à América Latina.
Esta batalha, porém, não se vence apenas no campo da força.
Deve-se vencer no campo das ideias. Como lembra o ensaísta Domenico
Losurdo, a sociedade mundial um dia aboliu o duelo como método de resolver
conflitos entre indivíduos, entendendo-o como bárbaro e irracional. Por que,
então, ainda aceitamos a guerra – o duelo entre nações – como algo inevitável?
A partir desta reflexão, urge organizar um movimento
mundial, um pacto civilizatório. As nações dos BRICS, um bloco já construído na
lógica da multipolaridade e do respeito soberano, têm a força e o dever ético
de dar o primeiro passo. Devem liderar uma condenação formal, explícita e
incessante para suprimir a guerra como meio de solução de conflitos. Devem
erguer a busca pela paz negociada, pela mediação e pelo direito internacional
como únicas vias legítimas.
O objetivo é claro: É preciso constranger e transformar
os Estados Unidos – em estreita aliança com Israel, que já se consolidou como
um pária internacional – em párias diplomáticos globais. Isolá-los não movido
por ódio, mas por uma necessidade urgente de sobrevivência coletiva. É
imperativo torná-los incapazes de, com um único gesto, incinerar uma região
inteira ou desestabilizar governos soberanos.
Vivemos o fim de uma era. A de um gangsterismo discreto. E o
início de outra: a do banditismo desavergonhado. A resposta a isso não pode ser
o medo. Deve ser a coragem coletiva de declarar, em uníssono, que este faroeste
global acabou. Que a humanidade, finalmente, cresceu. Que estamos prontos para
enterrar as armas e construir, por fim, uma era onde os conflitos se resolvam
com palavras, leis e justiça – não com ameaças, bombas e gangsteres.
O Gangsterismo Global: Como os EUA Trocaram o Terno pelo
Coldre
Durante décadas, eles foram os gentlemen do
caos. Agiam nos corredores tapetados de organismos internacionais, em golpes de
Estado encobertos, em sanções econômicas letais mas silenciosas. A política
externa dos Estados Unidos vestiu, por muito tempo, um terno bem cortado de
legalidade internacional, mesmo quando suas mãos sujavam-se de petróleo, sangue
e soberania alheia. Era um gangsterismo de alto nível, sofisticado, velado.
A era Trump rasgou o terno.
O que antes era sussurrado em gabinetes ou executado
por proxies agora é gritado no Twitter, transformado em ameaça
televisiva, declarado com a crueza de um ultimato no faroeste. A mudança não é
de essência, mas de método. A máscara caiu. O império abandonou a retórica e
adotou a linguagem direta da extorsão.
O caso recente é um retrato nítido desta nova (des)roupação.
A vice-presidenta da Venezuela, Delcy Rodríguez, foi alvo de uma ameaça pública
e grosseira do ex-presidente Donald Trump. A mensagem, em resumo, era um
clássico da máfia: "Se não se alinhar com os nossos interesses, você vai
pagar mais caro." Não há diplomacia aqui. Não há respeito ao direito
internacional ou à soberania de uma nação. Há apenas a postura do pistoleiro que
chega à cidade e diz como as coisas vão ser. Só que Trump não é o xerife. Nunca
foi. Ele é o bandido que mente descaradamente, que desrespeita qualquer lei que
o incomode, que faz da chantagem e da intimidação sua principal ferramenta de
negócio. Ele é a face explícita de uma lógica que sempre existiu: a dos EUA
como o fora-da-lei global que dita as regras que só ele ou seus vassalos podem
quebrar.
Este momento de brutalidade franca, no entanto, é também uma
oportunidade histórica. A máscara caída deixa visível, para todos os povos, o
rosto do poder hegemônico. Já não é possível fingir que se trata de
"promoção da democracia" ou "intervenção humanitária". É
poder bruto, nua e cruamente.
Por isso, a resposta não pode ser mais a mesma. É necessária
uma postura firme, corajosa e coordenada dos países verdadeiramente soberanos,
daqueles cujos governos estão comprometidos com o desenvolvimento nacional e
não com a submissão a uma potência estrangeira. São atitudes concretas,
coletivas, que causem constrangimento real aos Estados Unidos.
Chegou a hora de nomear os crimes, de isolar os criminosos no palco mundial.
Chegou a hora, por exemplo, de enfrentar com união
inabalável o genocídio em Gaza – um projeto tornado possível pelo apoio
incondicional estadunidense. Chegou a hora de trazer a julgamento, no tribunal
da opinião pública mundial, todos os crimes cometidos pelos EUA contra a
soberania de países do Vietnã ao Iraque, da Líbia à América Latina.
Esta batalha, porém, não se vence apenas no campo da força.
Deve-se vencer no campo das ideias. Como lembra o ensaísta Domenico
Losurdo, a sociedade mundial um dia aboliu o duelo como método de resolver
conflitos entre indivíduos, entendendo-o como bárbaro e irracional. Por que,
então, ainda aceitamos a guerra – o duelo entre nações – como algo inevitável?
A partir desta reflexão, urge organizar um movimento
mundial, um pacto civilizatório. As nações dos BRICS, um bloco já construído na
lógica da multipolaridade e do respeito soberano, têm a força e o dever ético
de dar o primeiro passo. Devem liderar uma condenação formal, explícita e
incessante para suprimir a guerra como meio de solução de conflitos. Devem
erguer a busca pela paz negociada, pela mediação e pelo direito internacional
como únicas vias legítimas.
O objetivo é claro: É preciso constranger e transformar
os Estados Unidos – em estreita aliança com Israel, que já se consolidou como
um pária internacional – em párias diplomáticos globais. Isolá-los não movido
por ódio, mas por uma necessidade urgente de sobrevivência coletiva. É
imperativo torná-los incapazes de, com um único gesto, incinerar uma região
inteira ou desestabilizar governos soberanos.
Vivemos o fim de uma era. A de um gangsterismo discreto. E o
início de outra: a do banditismo desavergonhado. A resposta a isso não pode ser
o medo. Deve ser a coragem coletiva de declarar, em uníssono, que este faroeste
global acabou. Que a humanidade, finalmente, cresceu. Que estamos prontos para
enterrar as armas e construir, por fim, uma era onde os conflitos se resolvam
com palavras, leis e justiça – não com ameaças, bombas e gangsteres.
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