terça-feira, 6 de janeiro de 2026


 O Gangsterismo Global: Como os EUA Trocaram o Terno pelo Coldre

Durante décadas, eles foram os gentlemen do caos. Agiam nos corredores tapetados de organismos internacionais, em golpes de Estado encobertos, em sanções econômicas letais mas silenciosas. A política externa dos Estados Unidos vestiu, por muito tempo, um terno bem cortado de legalidade internacional, mesmo quando suas mãos sujavam-se de petróleo, sangue e soberania alheia. Era um gangsterismo de alto nível, sofisticado, velado.

A era Trump rasgou o terno.

O que antes era sussurrado em gabinetes ou executado por proxies agora é gritado no Twitter, transformado em ameaça televisiva, declarado com a crueza de um ultimato no faroeste. A mudança não é de essência, mas de método. A máscara caiu. O império abandonou a retórica e adotou a linguagem direta da extorsão.

O caso recente é um retrato nítido desta nova (des)roupação. A vice-presidenta da Venezuela, Delcy Rodríguez, foi alvo de uma ameaça pública e grosseira do ex-presidente Donald Trump. A mensagem, em resumo, era um clássico da máfia: "Se não se alinhar com os nossos interesses, você vai pagar mais caro." Não há diplomacia aqui. Não há respeito ao direito internacional ou à soberania de uma nação. Há apenas a postura do pistoleiro que chega à cidade e diz como as coisas vão ser. Só que Trump não é o xerife. Nunca foi. Ele é o bandido que mente descaradamente, que desrespeita qualquer lei que o incomode, que faz da chantagem e da intimidação sua principal ferramenta de negócio. Ele é a face explícita de uma lógica que sempre existiu: a dos EUA como o fora-da-lei global que dita as regras que só ele ou seus vassalos podem quebrar.

Este momento de brutalidade franca, no entanto, é também uma oportunidade histórica. A máscara caída deixa visível, para todos os povos, o rosto do poder hegemônico. Já não é possível fingir que se trata de "promoção da democracia" ou "intervenção humanitária". É poder bruto, nua e cruamente.

Por isso, a resposta não pode ser mais a mesma. É necessária uma postura firme, corajosa e coordenada dos países verdadeiramente soberanos, daqueles cujos governos estão comprometidos com o desenvolvimento nacional e não com a submissão a uma potência estrangeira. São atitudes concretas, coletivas, que causem constrangimento real aos Estados Unidos. Chegou a hora de nomear os crimes, de isolar os criminosos no palco mundial.

Chegou a hora, por exemplo, de enfrentar com união inabalável o genocídio em Gaza – um projeto tornado possível pelo apoio incondicional estadunidense. Chegou a hora de trazer a julgamento, no tribunal da opinião pública mundial, todos os crimes cometidos pelos EUA contra a soberania de países do Vietnã ao Iraque, da Líbia à América Latina.

Esta batalha, porém, não se vence apenas no campo da força. Deve-se vencer no campo das ideias. Como lembra o ensaísta Domenico Losurdo, a sociedade mundial um dia aboliu o duelo como método de resolver conflitos entre indivíduos, entendendo-o como bárbaro e irracional. Por que, então, ainda aceitamos a guerra – o duelo entre nações – como algo inevitável?

A partir desta reflexão, urge organizar um movimento mundial, um pacto civilizatório. As nações dos BRICS, um bloco já construído na lógica da multipolaridade e do respeito soberano, têm a força e o dever ético de dar o primeiro passo. Devem liderar uma condenação formal, explícita e incessante para suprimir a guerra como meio de solução de conflitos. Devem erguer a busca pela paz negociada, pela mediação e pelo direito internacional como únicas vias legítimas.

O objetivo é claro: É preciso constranger e transformar os Estados Unidos – em estreita aliança com Israel, que já se consolidou como um pária internacional – em párias diplomáticos globais. Isolá-los não movido por ódio, mas por uma necessidade urgente de sobrevivência coletiva. É imperativo torná-los incapazes de, com um único gesto, incinerar uma região inteira ou desestabilizar governos soberanos.

Vivemos o fim de uma era. A de um gangsterismo discreto. E o início de outra: a do banditismo desavergonhado. A resposta a isso não pode ser o medo. Deve ser a coragem coletiva de declarar, em uníssono, que este faroeste global acabou. Que a humanidade, finalmente, cresceu. Que estamos prontos para enterrar as armas e construir, por fim, uma era onde os conflitos se resolvam com palavras, leis e justiça – não com ameaças, bombas e gangsteres.

O Gangsterismo Global: Como os EUA Trocaram o Terno pelo Coldre

Durante décadas, eles foram os gentlemen do caos. Agiam nos corredores tapetados de organismos internacionais, em golpes de Estado encobertos, em sanções econômicas letais mas silenciosas. A política externa dos Estados Unidos vestiu, por muito tempo, um terno bem cortado de legalidade internacional, mesmo quando suas mãos sujavam-se de petróleo, sangue e soberania alheia. Era um gangsterismo de alto nível, sofisticado, velado.

A era Trump rasgou o terno.

O que antes era sussurrado em gabinetes ou executado por proxies agora é gritado no Twitter, transformado em ameaça televisiva, declarado com a crueza de um ultimato no faroeste. A mudança não é de essência, mas de método. A máscara caiu. O império abandonou a retórica e adotou a linguagem direta da extorsão.

O caso recente é um retrato nítido desta nova (des)roupação. A vice-presidenta da Venezuela, Delcy Rodríguez, foi alvo de uma ameaça pública e grosseira do ex-presidente Donald Trump. A mensagem, em resumo, era um clássico da máfia: "Se não se alinhar com os nossos interesses, você vai pagar mais caro." Não há diplomacia aqui. Não há respeito ao direito internacional ou à soberania de uma nação. Há apenas a postura do pistoleiro que chega à cidade e diz como as coisas vão ser. Só que Trump não é o xerife. Nunca foi. Ele é o bandido que mente descaradamente, que desrespeita qualquer lei que o incomode, que faz da chantagem e da intimidação sua principal ferramenta de negócio. Ele é a face explícita de uma lógica que sempre existiu: a dos EUA como o fora-da-lei global que dita as regras que só ele ou seus vassalos podem quebrar.

Este momento de brutalidade franca, no entanto, é também uma oportunidade histórica. A máscara caída deixa visível, para todos os povos, o rosto do poder hegemônico. Já não é possível fingir que se trata de "promoção da democracia" ou "intervenção humanitária". É poder bruto, nua e cruamente.

Por isso, a resposta não pode ser mais a mesma. É necessária uma postura firme, corajosa e coordenada dos países verdadeiramente soberanos, daqueles cujos governos estão comprometidos com o desenvolvimento nacional e não com a submissão a uma potência estrangeira. São atitudes concretas, coletivas, que causem constrangimento real aos Estados Unidos. Chegou a hora de nomear os crimes, de isolar os criminosos no palco mundial.

Chegou a hora, por exemplo, de enfrentar com união inabalável o genocídio em Gaza – um projeto tornado possível pelo apoio incondicional estadunidense. Chegou a hora de trazer a julgamento, no tribunal da opinião pública mundial, todos os crimes cometidos pelos EUA contra a soberania de países do Vietnã ao Iraque, da Líbia à América Latina.

Esta batalha, porém, não se vence apenas no campo da força. Deve-se vencer no campo das ideias. Como lembra o ensaísta Domenico Losurdo, a sociedade mundial um dia aboliu o duelo como método de resolver conflitos entre indivíduos, entendendo-o como bárbaro e irracional. Por que, então, ainda aceitamos a guerra – o duelo entre nações – como algo inevitável?

A partir desta reflexão, urge organizar um movimento mundial, um pacto civilizatório. As nações dos BRICS, um bloco já construído na lógica da multipolaridade e do respeito soberano, têm a força e o dever ético de dar o primeiro passo. Devem liderar uma condenação formal, explícita e incessante para suprimir a guerra como meio de solução de conflitos. Devem erguer a busca pela paz negociada, pela mediação e pelo direito internacional como únicas vias legítimas.

O objetivo é claro: É preciso constranger e transformar os Estados Unidos – em estreita aliança com Israel, que já se consolidou como um pária internacional – em párias diplomáticos globais. Isolá-los não movido por ódio, mas por uma necessidade urgente de sobrevivência coletiva. É imperativo torná-los incapazes de, com um único gesto, incinerar uma região inteira ou desestabilizar governos soberanos.

Vivemos o fim de uma era. A de um gangsterismo discreto. E o início de outra: a do banditismo desavergonhado. A resposta a isso não pode ser o medo. Deve ser a coragem coletiva de declarar, em uníssono, que este faroeste global acabou. Que a humanidade, finalmente, cresceu. Que estamos prontos para enterrar as armas e construir, por fim, uma era onde os conflitos se resolvam com palavras, leis e justiça – não com ameaças, bombas e gangsteres.