domingo, 18 de janeiro de 2026


 

Como a Liberdade de Cada Pessoa Precisa do Grupo para Existir de Verdade: Uma Ideia Revolucionária Simples

Pense numa coisa que parece simples: o que é ser livre? No mundo de hoje, nos dizem que liberdade é cada uma fazer o que quer, sozinha, sem ninguém atrapalhar. Do outro lado, quando falamos em melhorar o mundo, parece que a solução é sempre pensar só no grupo, e a pessoa tem que ser anulada.

Um livro profundo sobre Karl Marx, de Zhi Li, mostra que essas duas ideias estão erradas. E o futuro de uma sociedade mais justa depende de integrá-las. O livro mergulha fundo no pensamento de Marx para mostrar uma ideia que pode mudar tudo.

 

A ideia central é essa: a nossa liberdade individual só fica forte quando estamos num coletivo solidário. E um coletivo só vale a pena se ele servir para libertar cada pessoa dentro dele.

Parece confuso, mas é simples.

1. A Liberdade Sozinha é Fraca e Falsa
Sozinha, uma pessoa é fraca. Por mais que ela queira, suas escolhas são limitadas. Zhi Li explica que Marx chamava isso de "liberdade abstrata". É a liberdade no papel, mas não na vida real, é uma ilusão, uma fantasia. Sozinha, você não pode, garantir uma boa educação para si, uma saúde de qualidade, um trabalho digno sem exploração. Você fica presa na luta diária pela sobrevivência. A sua "liberdade" vira apenas a liberdade de escolher entre opções ruins dadas por outras pessoas. É como ter liberdade para escolher qualquer prato num restaurante, mas só se você tiver dinheiro para pagar. Quem não tem, não escolhe nada.

 

2. O Grupo Constrói o Palco da Liberdade
Agora, pense num grupo unido, onde as pessoas se ajudam de verdade. Juntas, elas podem criar coisas que sozinhas nunca fariam: reivindicar e conseguir uma escola pública, um hospital que atenda a todas as pessoas, um sistema de transporte bom, uma cooperativa de trabalho onde todas decidem juntas. O livro mostra que Marx enxergava isso. Ele não via o coletivo como um chefe que manda. Ele via o coletivo como um construtor. É o grupo que cria o palco – as condições materiais da vida – onde a liberdade da pessoa pode acontecer de verdade.

Zhi Li explica que Marx via isso claramente. A verdadeira liberdade não é você começar livre. É você se tornar livre, e você só consegue isso com a ajuda das outras pessoas. É como querer ser uma ótima nadadora. Você até pode ter o talento, mas sem uma piscina pública, um treinador acessível e um tempo que não seja todo consumido por um trabalho cansativo, seu talento nunca se desenvolve. Quem constrói a piscina pública? O poder público que atua conectado com nossas lutas coletivas.

 

3. O Objetivo do Grupo é a Liberdade da Pessoa
Aqui está o ponto que o livro destaca: o objetivo do grupo NÃO é controlar a vida de ninguém. O objetivo do grupo é justamente o oposto: garantir que cada pessoa dentro dele tenha o apoio e os recursos para viver sua vida do jeito que quer, desenvolvendo seus talentos, sem passar necessidade.

Um coletivo que esmaga as pessoas, que faz todas pensarem e agirem igual, é um coletivo falido. O sucesso de uma sociedade, na visão que Zhi Li explora de Marx, se mede pela felicidade e realização das pessoas que vivem nela, não por números de produção.

 

Imagina uma orquestra.
Cada instrumentista domina seu instrumento. Ela estudou anos para isso (isso é a liberdade individual, o talento da pessoa). Mas a música mais linda só acontece quando todas tocam juntas, se escutando, entrando no ritmo certo uma da outra (isso é a solidariedade coletiva). A música que elas fazem juntas é muito maior do que cada uma tocando separadamente. Uma não atrapalha a outra. Uma melhora a outra. A liberdade da flautista de fazer um solo lindo só faz sentido porque o resto da orquestra está sustentando a melodia para ela.

 

Imagina um time de futebol.
Cada atleta tem sua habilidade única. Quem está no ataque é ágil, quem está defendendo o gol, tem reflexo apurado. Mas o gol só sai quando o time se organiza, passa a bola, se entende. A estrela brilha por causa do time, não apesar dele. O time existe para que o talento de cada pessoa possa resultar em vitórias e jogadas bonitas.

 

4. A Crítica ao Mundo de Hoje
O livro de Zhi Li usa essas ideias de Marx para criticar como a nossa sociedade está organizada. No capitalismo, o "grupo" muitas vezes é na verdade uma competição disfarçada. É cada uma por si. Isso não cria um palco para a liberdade; cria uma armadilha. A solidariedade vira caridade, não uma base da sociedade.

A proposta é outra: uma sociedade onde a cooperação seja a base de tudo. Onde o trabalho de todas as pessoas não sirva apenas para dar lucro a algumas, mas para construir, para todas, esse "palco" público e comum de liberdade: boas escolas, saúde, cultura, lazer, moradia e muito mais.

 

É isso que significa "eu" por meio do "nós".

O socialismo, então, não é sobre abrir mão de quem você é. É exatamente o contrário. É sobre construir um mundo onde, através da união e da ajuda mútua consciente, todas as pessoas tenham a chance real de se tornar quem são, de verdade, sem medo e sem falta do básico.

Não é "eu" contra "nós". É entender que o "nós" forte, unido e solidário é a única forma de fazer o "eu" de cada pessoa valer a pena, crescer e ser livre de fato. O caminho é construir juntas. O livro de Zhi Li nos lembra que essa não é uma utopia distante, mas uma necessidade prática para um futuro onde todas possam viver com dignidade.


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