Como a Liberdade de Cada Pessoa Precisa do Grupo para
Existir de Verdade: Uma Ideia Revolucionária Simples
Pense numa coisa que parece simples: o que é ser livre? No
mundo de hoje, nos dizem que liberdade é cada uma fazer o que quer, sozinha,
sem ninguém atrapalhar. Do outro lado, quando falamos em melhorar o mundo,
parece que a solução é sempre pensar só no grupo, e a pessoa tem que ser anulada.
Um livro profundo sobre Karl Marx, de Zhi Li, mostra que
essas duas ideias estão erradas. E o futuro de uma sociedade mais justa depende
de integrá-las. O livro mergulha fundo no pensamento de Marx para mostrar uma
ideia que pode mudar tudo.
A ideia central é essa: a nossa liberdade individual só
fica forte quando estamos num coletivo solidário. E um coletivo só vale a pena
se ele servir para libertar cada pessoa dentro dele.
Parece confuso, mas é simples.
1. A Liberdade Sozinha é Fraca e Falsa
Sozinha, uma pessoa é fraca. Por mais que ela queira, suas escolhas são
limitadas. Zhi Li explica que Marx chamava isso de "liberdade
abstrata". É a liberdade no papel, mas não na vida real, é uma ilusão, uma
fantasia. Sozinha, você não pode, garantir uma boa educação para si, uma saúde
de qualidade, um trabalho digno sem exploração. Você fica presa na luta diária
pela sobrevivência. A sua "liberdade" vira apenas a liberdade de
escolher entre opções ruins dadas por outras pessoas. É como ter liberdade para
escolher qualquer prato num restaurante, mas só se você tiver dinheiro para
pagar. Quem não tem, não escolhe nada.
2. O Grupo Constrói o Palco da Liberdade
Agora, pense num grupo unido, onde as pessoas se ajudam de verdade. Juntas,
elas podem criar coisas que sozinhas nunca fariam: reivindicar e conseguir uma
escola pública, um hospital que atenda a todas as pessoas, um sistema de
transporte bom, uma cooperativa de trabalho onde todas decidem juntas. O livro
mostra que Marx enxergava isso. Ele não via o coletivo como um chefe que manda.
Ele via o coletivo como um construtor. É o grupo que cria o palco –
as condições materiais da vida – onde a liberdade da pessoa pode acontecer de
verdade.
Zhi Li explica que Marx via isso claramente. A verdadeira
liberdade não é você começar livre. É você se tornar livre, e
você só consegue isso com a ajuda das outras pessoas. É como querer ser uma
ótima nadadora. Você até pode ter o talento, mas sem uma piscina pública, um
treinador acessível e um tempo que não seja todo consumido por um trabalho
cansativo, seu talento nunca se desenvolve. Quem constrói a piscina pública? O
poder público que atua conectado com nossas lutas coletivas.
3. O Objetivo do Grupo é a Liberdade da Pessoa
Aqui está o ponto que o livro destaca: o objetivo do grupo NÃO é controlar a
vida de ninguém. O objetivo do grupo é justamente o oposto: garantir que cada
pessoa dentro dele tenha o apoio e os recursos para viver sua vida do jeito que
quer, desenvolvendo seus talentos, sem passar necessidade.
Um coletivo que esmaga as pessoas, que faz todas pensarem e
agirem igual, é um coletivo falido. O sucesso de uma sociedade, na visão que
Zhi Li explora de Marx, se mede pela felicidade e realização das pessoas que
vivem nela, não por números de produção.
Imagina uma orquestra.
Cada instrumentista domina seu instrumento. Ela estudou anos para isso (isso é
a liberdade individual, o talento da pessoa). Mas a música mais linda só
acontece quando todas tocam juntas, se escutando, entrando no ritmo certo uma
da outra (isso é a solidariedade coletiva). A música que elas fazem juntas é
muito maior do que cada uma tocando separadamente. Uma não atrapalha a outra.
Uma melhora a outra. A liberdade da flautista de fazer um solo
lindo só faz sentido porque o resto da orquestra está sustentando a melodia
para ela.
Imagina um time de futebol.
Cada atleta tem sua habilidade única. Quem está no ataque é ágil, quem está
defendendo o gol, tem reflexo apurado. Mas o gol só sai quando o time se
organiza, passa a bola, se entende. A estrela brilha por causa do
time, não apesar dele. O time existe para que o talento de cada pessoa possa
resultar em vitórias e jogadas bonitas.
4. A Crítica ao Mundo de Hoje
O livro de Zhi Li usa essas ideias de Marx para criticar como a nossa sociedade
está organizada. No capitalismo, o "grupo" muitas vezes é na verdade
uma competição disfarçada. É cada uma por si. Isso não cria um palco para a
liberdade; cria uma armadilha. A solidariedade vira caridade, não uma base da
sociedade.
A proposta é outra: uma sociedade onde a cooperação seja a
base de tudo. Onde o trabalho de todas as pessoas não sirva apenas para dar
lucro a algumas, mas para construir, para todas, esse "palco" público
e comum de liberdade: boas escolas, saúde, cultura, lazer, moradia e muito mais.
É isso que significa "eu" por meio do
"nós".
O socialismo, então, não é sobre abrir mão de quem você é. É
exatamente o contrário. É sobre construir um mundo onde, através da união e da
ajuda mútua consciente, todas as pessoas tenham a chance real de se tornar quem
são, de verdade, sem medo e sem falta do básico.
Não é "eu" contra "nós". É entender que
o "nós" forte, unido e solidário é a única forma de fazer o
"eu" de cada pessoa valer a pena, crescer e ser livre de fato. O
caminho é construir juntas. O livro de Zhi Li nos lembra que essa não é uma
utopia distante, mas uma necessidade prática para um futuro onde todas possam
viver com dignidade.
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